20.02.2026 · 7:10 · Vereadora Luiza Ribeiro

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) defende a intervenção no Consórcio Guaicurus e a remodelagem completa do sistema de transporte coletivo de Campo Grande, com a implantação do modelo de tarifa zero. A proposta ganha força após os resultados da CPI do Transporte, que apontaram graves falhas no cumprimento contratual por parte da concessionária.

Segundo a parlamentar, a tarifa zero não é “almoço de graça”, como afirmam críticos da proposta, mas um novo modelo de financiamento do transporte coletivo já adotado em mais de 140 cidades brasileiras. A experiência nesses municípios demonstra que o sistema é mais eficiente, amplia o acesso da população e fortalece a mobilidade urbana. Para Luiza, o valor da tarifa é hoje uma barreira concreta que afasta milhares de pessoas do transporte público. “A tarifa zero atravessa essa barreira, garante o direito de ir e vir e ainda estimula a economia local”, afirma.

A vereadora também sustenta que a administração direta do sistema pela prefeitura reduz a lógica de lucro das empresas concessionárias. Atualmente, parte significativa dos recursos arrecadados não retorna em melhoria do serviço, mas é destinada ao patrimônio dos sócios das empresas. Em um novo modelo, os investimentos poderiam ser integralmente revertidos para qualificação da frota, ampliação de linhas e melhoria do atendimento à população.

Durante a CPI, foi constatado que um dos principais problemas do transporte coletivo de Campo Grande é a resistência da concessionária em cumprir o contrato. Hoje, 197 ônibus circulam acima do limite de idade contratual da frota prudencial, comprometendo a qualidade, a segurança e o conforto dos usuários.

Além disso, há recursos federais disponíveis para a renovação da frota. O Governo Federal, por meio do Novo PAC, destinou R$ 4,4 bilhões para que municípios adquiram novos ônibus. O financiamento prevê 48 meses de carência para início do pagamento e juros de 6% ao ano. Campo Grande e Dourados estão elegíveis para adesão e já constam no sistema federal, aguardando apenas a formalização por parte do Executivo municipal.

A implementação da gratuidade em Campo Grande também responde diretamente à Meta 11.2 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, compromisso assumido pelo Brasil, que estabelece que, até 2030, é preciso proporcionar acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos, com especial atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos. Para Luiza Ribeiro, a tarifa zero é uma política pública estruturante que dialoga com inclusão social, desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

A proposta da vereadora é reunir os membros da CPI para que a Câmara Municipal assuma papel protagonista na elaboração das bases legais de um novo sistema de transporte para Campo Grande, com intervenção e implantação da tarifa zero. O tema será debatido em audiência pública convocada pela parlamentar para o mês de abril, ampliando o diálogo com especialistas e com a população usuária do transporte coletivo.

Assessoria de Imprensa da Vereadora

CMCG