27.02.2026 · 10:57 · Audiência Pública
Em Audiência Pública realizada na manhã desta sexta-feira (27), a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) prestou contas aos vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande referente ao terceiro quadrimestre de 2025, apresentando o fechamento dos dados financeiros do ano passado.
O balanço financeiro foi apresentado pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, esclarecendo os números e respondendo aos questionamentos dos vereadores.
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De acordo com Marcelo Vilela, o maior desafio é manter o estoque de remédios na saúde pública municipal. “Uma das principais prioridades da gestão é colocar isso em dia. O que mais acomete os cidadãos é a falta, a sensação de falta de assistência, ou seja, ter atendimento e ter medicamento. Então essa é uma das prioridades. Nossa prefeita foi bem positiva comigo de cobrar e a gente se esmerilhar e se esforçar ao máximo pra colocar um dia esse quantitativo de medicações ofertada aos nossos usuários do SUS”, destacou.
Ainda conforme o secretário de Saúde, 33% do caixa da Prefeitura é investido na saúde “e mesmo assim tá insuficiente. Isso mostra o subfinanciamento, o financiamento da saúde pública ele é tripartite, é feito pelo Município, Estado e a União. A nossa média de alta complexidade é o maior custeio nosso e não tem reajuste há mais de 10 anos. Então a gente precisa contratualizar mais leitos, esse é o desafio. A gente tem ainda o problema da judicialização. Ano passado foi sequestrado quase R$ 38 milhões na nossa conta do Fundo Municipal e a judicialização principalmente são de cirurgias”, revelou.
Vilela ainda ressaltou que “é minha obrigação vir aqui, é minha obrigação me unir aos vereadores pra gente lutar por uma saúde melhor. A maioria quer isso e a gente vai fazer isso. Não é fácil sentar nessa cadeira, não é fácil ter as atitudes administrativas necessárias. Uma das questões é a compra, você comprar dentro da saúde pública é um negócio complicado. Você não pode fazer contrato de emergência toda hora, porque está faltando um medicamento, não tem justificativa técnica, então, a gente tem que colocar a lisura, a gente tem que acelerar os processos dentro da lei, dentro da técnica, pra ofertar aos nossos usuários do SUS o melhor atendimento”, disse.
Segundo dados do relatório apresentado na Audiência, no terceiro quadrimestre referentes aos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2025 foram realizadas 1.082.481 visitas domiciliares (visita ACS), 541.644 atendimentos individuais (visita, consulta, e atendimento de profissionais de nível superior), 895.824 procedimentos (todos procedimentos realizados por nível médio e superior exceto cirurgião dentista), 73.320 atendimentos odontológicos (consulta cirurgião dentista), totalizando 2.593.269 a produção da Atenção Primária à Saúde.
Ainda conforme o relatório, a produção hospitalar totalizou 28.348 procedimentos, com valor aprovado de R$ 74.424.676,97, evidenciando forte concentração financeira em serviços de alta complexidade. Já na Atenção Especializada – Ambulatorial foram registrados 1.531.982 procedimentos, totalizando R$ 48.889.821,77 em valores aprovados.
No exercício de 2025, o investimento municipal no Componente Básico da Assistência Farmacêutica totalizou R$ 22.602.893,91, destinados à aquisição de medicamentos padronizados, manutenção do abastecimento da rede, qualificação logística e fortalecimento das ações assistenciais farmacêuticas no âmbito da Rede Municipal de Saúde (REMUS).
O vereador Dr. Jamal, que presidiu a Audiência, destacou que “a preocupação principal da Comissão de Saúde é a saúde da população. E sempre a gente tem recebido muitas queixas da falta de medicamento, da falta de marcação de consulta, das cirurgias eletivas e principalmente a atenção básica que tem muitas falhas, por isso, que a pessoa não consegue a consulta na Unidade Básica e recorre à UPA e na UPA ocorre aquele congestionamento todo. Então a nossa preocupação é exatamente melhorar cada vez mais a saúde da população”, afirmou.
Para o vereador Dr. Lívio, “o sentimento que eu tinha nesse último ano com relação à saúde de Campo Grande, acompanhando a precarização dos serviços, tendo conhecimento que não tem responsabilização direta dos servidores da Sesau, tem um fator mais acima, da secretaria de Finanças, que inviabiliza as ações da saúde. Eu não participava mais das prestações de contas da saúde, porque não tinha esperança alguma que teria mudança na maneira como vinha sendo conduzida. Quero aqui empenhar meu apoio e parabenizar você por assumir essa função. Tenho a sensação, conhecendo sua competência e seu caráter, que você tem a plena noção e conhecimento do desafio que está à sua frente. Fica aqui o meu apelo à Secretaria de Finanças para regularizar o pagamento de diversos fornecedores, é preciso ter um planejamento estratégico para que isso possa ser regularizado. Tenho esperança e fé que você vai promover esse planejamento de ações”, afirmou.
Na Tribuna, a vereadora Luiza Ribeiro cobrou os dados referentes à execução orçamentária da Saúde, “reiteradamente nós temos uma prestação de contas constrangida, ao ponto do secretário que está à frente da Sesau não demonstrar para nós os números relativos à execução orçamentária. Toda vez a gente tem que pedir pro secretário colocar lá, não só as metas que queremos ver, temos que entender o que fizeram com o dinheiro, quanto dinheiro tinha e quanto foi aplicado”, cobrou a vereadora.
Em seu pronunciamento, o vereador Wilson Lands cobrou a reforma da unidade de saúde do Coophavilla. “Às vezes dá até desânimo vir na prestação de contas. Nenhum trabalho pode anular o outro, esperamos que agora as coisas aconteçam, espero que na próxima prestação de contas deixaremos de ouvir da falta de medicamento, da falta de insumos. Uma coisa eu quero discordar: a equipe da Sesau é praticamente a mesma, só trocando alguns dos quadros, quero partir do princípio que o secretário, com autonomia, precisa entregar resultados pra população. Quero fazer um pedido: faça uma visita comigo ao Centro Regional de Saúde do Coophavilla, que há muito tempo sofre com abandono, piso quebrado, largado às traças e está precisando de uma intervenção, uma reforma estrutural, ali precisa se transformar numa UPA, o que acontece lá é lastimável”, solicitou.
O vereador Landmark saiu em defesa dos servidores da saúde. “O seu desafio à frente dessa secretaria é muito grande. Precisamos de uma política pública interna no seu RH, de valorização dos servidores públicos de carreira do SUS. Muitos servidores sofrem com pressão psicológica, com problemas psicológicos, ansiedade. Muitos servidores das unidades de saúde sofrem com problema de saúde. É necessário olhar para dentro da secretaria, dentro da unidade. Temos muito servidores comprometidos com o SUS, sem nenhum tipo de vontade ou entusiasmo, sem vontade de ir pro trabalho. Peço que o seu Recursos Humanos desse uma atenção especial para esses servidores, eles precisam ter acolhimento”, disse.
Serviço – O debate foi convocado pela Comissão Permanente de Saúde da Câmara, composta pelo vereador Dr. Victor Rocha (presidente), Dr. Jamal (vice-presidente), Neto Santos, Dr. Lívio e Veterinário Francisco.
Paulline Carrilho
Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal



