27.02.2026 · 3:25 · Vereadora Luiza Ribeiro

Em Audiência Pública realizada na manhã desta sexta-feira (27), na Câmara Municipal de Campo Grande, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) apresentou a prestação de contas referente ao terceiro quadrimestre de 2025, com o fechamento financeiro do exercício do ano passado. Os dados foram detalhados pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, que respondeu aos questionamentos dos parlamentares.

Durante a apresentação, o secretário afirmou que 33% do caixa da Prefeitura é investido na saúde, mas que o valor ainda seria insuficiente diante do que classificou como subfinanciamento da saúde pública. Segundo ele, o financiamento é tripartite, envolvendo Município, Estado e União e há defasagem nos repasses da alta complexidade. Também citou a judicialização da saúde, informando que recursos foram sequestrados do Fundo Municipal em 2025 para cumprimento de decisões judiciais, principalmente relacionadas a cirurgias.

A vereadora Luiza Ribeiro (PT), no entanto, fez duras cobranças e questionou a coerência entre os números apresentados e a realidade enfrentada pela população. Para a parlamentar, os dados oficiais não sustentam o argumento de subfinanciamento.

“Não dá para falar em falta de recursos quando os próprios números mostram que foram aplicados 31,5% das receitas arrecadadas na saúde, mais que o dobro do mínimo constitucional de 15%. Não tivemos falta de repasses federais ou estaduais — foram cerca de R$ 1,2 bilhão, sendo R$ 1 bilhão da União. Estamos falando de um orçamento de aproximadamente R$ 2,25 bilhões gastos na saúde em 2025. Onde está o resultado disso?”, questionou.

Luiza destacou que, apesar do volume expressivo de recursos, a população segue enfrentando falta de medicamentos, ausência de vagas hospitalares e demora em procedimentos. A vereadora também apontou inconsistências nos pagamentos, citando casos em que apenas pequena parte dos valores liquidados para aquisição de medicamentos foi efetivamente paga.

Para a parlamentar, a gestão plena da saúde em Campo Grande impõe responsabilidade direta ao Município sobre toda a rede, da atenção primária às internações hospitalares, ainda que haja cofinanciamento federal e estadual.

“É gestão plena. A responsabilidade é do Município. O recurso é robusto, é bilionário, mas não aparece em serviço. Não aparece em remédio. Não aparece em leito. Não é possível aceitar que, diante desses números, a justificativa seja apenas subfinanciamento”, afirmou.

Ao final de sua manifestação, Luiza Ribeiro declarou que, em sua avaliação, a prestação de contas não foi satisfatória por não apresentar justificativas claras e plausíveis para o que classificou como “caos” na saúde pública da Capital.

A audiência ganhou contornos ainda mais graves com a manifestação pública de um fornecedor da própria Prefeitura. O empresário Alex, proprietário da empresa Java Med Hospitalar, relatou em plenário que tem R$ 531 mil a receber do Município, com notas fiscais em atraso há mais de 400 dias, incluindo fornecimento de fraldas geriátricas e soro fisiológico desde janeiro de 2025. Visivelmente emocionado, afirmou que mantém 14 funcionários e que, diante da inadimplência, pode ser obrigado a encerrar as atividades. Segundo ele, mesmo após reiteradas promessas de pagamento, a dívida persiste. A cobrança feita em plena audiência pública expôs, mais uma vez, o descompasso entre os valores bilionários apresentados na prestação de contas e a realidade enfrentada por fornecedores que sustentam serviços essenciais da saúde

A audiência foi encerrada sob forte cobrança por maior transparência e detalhamento dos gastos, reforçando o papel fiscalizador do Legislativo diante da crise enfrentada pela rede municipal de saúde.

CMCG